15/02/2013

As Férias


Geraldo, um senhor que eu conheci durante o período no qual trabalhei com atendimento ao cliente tirou suas primeiras férias pela empresa na qual nos conhecemos. Na verdade, sabia pouca coisa dele: pouco mais de quarenta anos, filhos casados e pouca habilidade com o computador, apesar de o usarmos bastante na empresa.

Enquanto ele estava fora, fui eu o responsável por suas funções, um trabalho árduo de atender reclamações e corrigir alguns pedidos. Com muito “suor e rebolado” para atender à minha função e a dele, realmente esperava que ele estivesse curtindo (e muito) o período.

A recompensa do meu trabalho veio quando ele voltou, com uma cara vívida, como se durante o período houvesse entrado em um SPA que, apesar de não resolver as rugas e as olheiras (um pouco mais profundas que antes), retornara o brilho adolescente aos olhos quarentões.

- Cara, tive As Melhores Férias de minha vida!!!! Vi cada coisa que acho que ninguém mais viu!!!
- Poxa cara, parabéns, que bom!!
Isso era ótimo para mim, além do alívio nas tarefas, via que minhas férias se aproximavam e poderiam ser tão boas quanto as dele.
- O que você fez, para onde você foi?! Me conta!!!

Uma pausa foi feita para deixar que o supervisor passasse (com olhar de “vamos trabalhar, pô!”)
- Encontrei um lugar único! Cheio de gente habilidosa, você devia estar lá também (fazendo referência a algumas composições mal terminadas que apresentei a ele).
- Nossa!! Você foi pra onde?

Parece que ele não me ouviu, entrou em uma espécie de êxtase lembrando de sua viajem e, ao que parece, não iria voltar a si até que terminasse sua locução:
- Tinha palhaços, dos bons se apresentando ... um pintor muito maluco que jogava tinta pra cima ...

Neste momento, os olhos de Geraldo perfuravam um buraco no espaço-tempo, vendo coisas do passado. Mesmo que mirassem para os meus, o que ele via era o tal do lugar que conhecera. Eu, cada vez mais ansioso para conhecer o lugar “mágico” parecia uma criança que quer saber o final da história.

- Você foi no circo? ...
- Tinha também uns caras tocando gaita e violão ao mesmo tempo ...
- Encontrou uma casa de shows? ...
- ... um mágico muito desastrado mas que fazia umas coisas loucas sem querer...
- Viajou pra Las Vegas?
-... um japonesinho que tocava piano como ninguém...

A conversa virou burburinho e o diálogo mais parecia dois monólogos acontecendo ao mesmo tempo. A cada nova atração comentada, o via cada vez mais longe. Minha imaginação tentava encontrar imagens daquilo e começou pelas calçadas do centro de Curitiba, onde morei por um tempo. Mas depois de várias adivinhações e esforço mental, não conseguia enxergar toda aquela descrição por locais que visitei. No fim, já o imaginava viajando para Istambul ou algum local muito distante. Precisava cortar a frenesi de ambos:
- CARACA, Geraldo!!! Pra onde você foi?! (ele voltou a si e voltou a me enxergar)
- Ah, eu fiquei em casa e descobri um site chamado youtube, você precisa ver!!!

14/09/2012

Obrigado Mãe


Agradeço a minha mãe por não ter feito como as outras. Isso poderia ter me deixado na mesma situação que vejo outros camaradas do mesmo sexo, dependentes do gênero cuja representação era um mais para baixo.
 
Lá... nos tempos pré-históricos, homens e mulheres fizeram um pacto. A moça, por ter que cuidar da cria (e isso eu digo que foi um pacto sim! Veja o caso dos pinguins... são os machos que cuidam dos pequenos enquanto mamães vão à caça) ficava lá pela toca, com as comadres, ajeitando o lugar até que os fortões voltassem com alguma caça para que elas cozinhassem (e me perdoem os historiadores se estes não forem bem os fatos. Alego licença poética por omitir trechos de nossa linha do tempo, como a descoberta do fogo, etc.).
Imagino como os homens ficavam enquanto esperavam a comida. Com os pés para cima e coçando os piolhos, afinal, já tinham feito todo o serviço que a eles cabiam.
 
Pois bem! Volto a agradecer a minha mãe, por ajudar na evolução deste e outros dois seres (meus dois irmãos)!
 
Com o passar dos tempos e após certas décadas da revolução industrial, as mulheres resolveram mostrar que não eram simplesmente bolinhas neste mundo, esperando para servirem os maridos. Saíram para as ruas, começaram a votar, a trabalhar e a ocupar cargos gerenciais e de motoristas.
O mais interessante é que, além de trabalharem fora de casa, arrumam tempo para criarem seus filhos e, em muitos casos, cuidarem da casa, da janta e outros etceteras.
Minha mãe é uma dessas. Cuidou de três filhotes, hoje homens barbados e, de certa forma em outro degrau daquele quadro magnífico que representa a evolução do homem, partindo do macaco até o rapaz ereto e de maleta. Acredito que nós (e aqui somo meus irmãos e outros que compartilhem dessa evolução), somos o próximo desenho, aquele que segue a fila: Além da maleta, temos na outra mão uma panela, ou quem sabe um ferro de passar.
Não nos menosprezem ao conseguirem criar na cabeça essa imagem, pois é por este motivo que agradeço a minha mãe!
 
Não tendo nenhuma filha, ou talvez por outras n razões que desconheço, esta moça nordestina botou seus filhos para estudarem, buscarem uma profissão e, mais que isso, se virarem nos trinta para se organizarem em casa.
Não precisamos esperar, como aqueles pequenos passarinhos no ninho e homens da antiguidade (que nem precisa ser muito antigos), pelo alimento. Não! Nós o trazemos como fruto de nosso trabalho, mas também somos capazes de arregaçar as mangas dentro do lar e “não morrer na praia”.
As moças ficaram independentes pois aprenderam a trabalhar fora de casa, mas agora está na vez dos homens se livrarem das algemas comodistas e darem um passo a mais, equiparando-se com as mulheres modernas, independentes como são na vida.
 
Mais uma vez, muito obrigado mãe, por nos ensinar a subir mais este degrau!

10/01/2012

A gente quer comida, diversão, arte e TEMPO!

O homem passa fome e por apertos em sua casa e logo começa a piar por alguma clemência de quem passa pelo lado, ou talvez de algum vizinho bondoso:

Que brasero que fornáia ... nem um pé de plantação, (...) até mesmo asa branca foi-se embora do sertão...

Pois mais tarde, em 1987, a azia do homem não o deixa. Ele ganhou algumas migalhas, mas sua fome é mais profunda do que o espaço em seu estômago.

A gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte!

É, Titãs ... mesmo com o nome grandioso, a fome que aclamaram foi sufocada por fast foods e obesidade. Queriam cultura e logo tivemos uma enxurrada de informação pelos cabos de fibra óptica.
 Mas não sei se alguém já sentiu essa queimação que eu agora tenho. Espero que logo alguém entoe um hino por esse item faltante na mesa da sociedade. Onde está o tempo para matar a fome, seja ela qual for.
Vejo por aí pessoas correndo com um pedaço de coxinha na mão. Em casa, quem tem tempo de ler um livro, de amá-lo e digeri-lo aos poucos, evitando assim uma congestão cultural? Infelizmente, por enquanto é tudo guela abaixo... quibes, big mac’s e o que te servirem em frente à TV. Não sou cantor e por isso, só acrescento um item à reivindicação da primeira banda de todos os tempos da ultima semana:

A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão, arte e TEMPO pra digerir tudo isso!!!

04/01/2012

Se eu Pudesse

Olá, meu nome é Billy e minha vida é sempre a mesma coisa. Acordo; faço minha caminhada e logo vou trabalhar. Atuo na área de segurança patrimonial.
A refeição também é a mesma... SEMPRE ... acho que a cozinheira não tem muito criatividade, mas fazer o que.
Meu pagamento também é o mesmo: não é muito, mas tenho uma casa para morar.
Ah é! Minha casa! Acho que ela poderia ser maior mas, como o de sempre, dependo do meu chefe para conseguir um quarto extra. Não, ainda não conversei com ele!
Me perguntaram quais são meus planos para o ano novo, mas eu não faço planos. Quer dizer, até fazia, mas estou sempre dependendo de alguém para que meus planos aconteçam. Ano passado decidi que iria sair mais (para paquerar, hahah) mas isso, mais uma vez, dependia do meu chefe me levar e, como resultado, não aconteceu.
Iria aumentar a minha casa (como já falamos) mas isso (adivinhem) dependia de outras coisas e outros indivíduos.
Até pensei em juntar minhas trouxas com a cadela da vizinha, mas não me deixaram. Se ao menos eu tivesse polegares para construir meus cômodos extras; para abrir o portão de casa e outros. Se ao menos eu pudesse falar, como meu chefe ... Aí sim eu faria planos! E MAIS IMPORTANTE: os colocaria em ação!
Mas o jeito é ficar aqui mesmo, babando sobre tudo o que eu gostaria, demarcando meu território e abanando meu rabo a espera de alguém que faça as coisas por mim.
SE AO MENOS EU PUDÉSSE... EU AGIRIA!!!

Um feliz ano novo, cheio de planos e, mais importante, de ações!!!