24/12/2011

O melhor presente que se poderia ganhar

O menino tinha assoprado as velas de seu 9° aniversário aquele ano e o Natal se aproximava. “Legal! Mais presentes!”, era o que o garoto falava toda a vez que tocavam na data mais esperada das crianças (mais que o próprio dia das crianças, no qual os pequenos ganham brinquedos furrecas em comparação ao Natal).
“O joãozinho disse que vai ganhar o Mac Steel Ultra Mega e o ricardinho pediu pra ganhar o novo video game mega blaster... ah e o Fernandinho vai ganhar uma bike e o ...” e assim continuava quase ofegante e mal se lembrando de respirar.
Vendo a excitação de Juquinha em receber presentes, Valmir, o pai, disse ao filho que iria lhe dar o melhor presente do mundo. O garoto quase explodiu de euforia, ainda mais quando, de imediato, entraram no carro para comprar o tal presente.
Foram ao centro e pararam em frente a uma distribuidora de doces. Não eram brinquedos, mas já era alguma coisa.
“Escolha os dois melhores doces da loja”, disse o pai visualizando instantaneamente olhos esbugalhados e incrédulos.
Com os doces escolhidos e dois sacos cheios no carro Valmir pergunta: “Você está feliz?”. O garoto não titubeia ao responder com grandes movimentos em afirmativo da cabeça e um sim exagerado. “E se eu disser que iremos para uma loja de brinquedos e quer você poderá escolher vários?” ... Juquinha precisou de um tempo para assimilar o que acabara de ouvir e, depois de entendido, segurou o choro mas não conseguiu responder.
Eles foram à loja. Um local simples com brinquedos baratos. De qualquer forma o garoto não conseguia se conter de emoção, afinal, o pai falou em brinquedossss... no plural!!! “Você está feliz?”, perguntou novamente o pai que recebeu um grande abraço molhado de lágrimas de felicidade e um sim parcelado entre os soluços.
Fim do dia e o porta malas estava cheio de balas e brinquedos, mas Juquinha percebeu que o caminho que faziam era diferente. Chegaram a um bairro a poucos quilômetros do seu mas, apesar da pouca distância, a diferença era grande. Casas muito simples, algumas ainda com a alvenaria a mostra.
“Esse, meu filho, é o melhor presente do mundo que eu te dou”. O pai, com um brilho nos olhos, entregou a juca um gorro de Papai Noel, gêmeo ao que o pai também vestia.
Ele o vestiu e segui o pai para fora do carro ouvindo o pai dando gargalhadas parecidas ao do bom velhinho “Ho ho ho, feliz natal criançada!!! Quem quer presente?”
Logo, o brilho que antes pairava somente dentro dos olhos do pai contagiaram as crianças que vinham pulando de alegria para ganhar algo inesperado.
Raiva, desentendimento e confusão foram os primeiros pensamentos de Juquinha, mas a cada criança que saía feliz de trás do carro com um embrulho nas mão fazia com que sua mente, aos poucos esquecesse o brinquedo e focasse na felicidade que ali pairava, no meio da rua... em meio a um bairro desconhecido. Aquele era realmente um dos melhores presentes que seu pai lhe dera
“... vem aqui ajudante!”, gritou o pai, acordando o menino do transe e fazendo Juquinha correr até o porta malas

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