Estava eu arrumando meus livros e acabei encontrando um caderno já avariado. Era o que eu usava para escrever algumas idéias minhas quando ainda estava no ensino médio, uns oito anos atrás. Dentre esses textos, encontrei uma carta, muito sarcástica, que havia escrito sobre uma das “mancadas” de meu pai comigo.
Apesar das exagerações (típicas de adolescentes), lembrei do motivo que me levou a escrever a tal carta (ele havia utilizado o carro e não tinha posto gasolina novamente), bem como de outros momentos em que ele cometeu “faltas” com seus filhos.
Sobre esse prisma, pensei em como meu pai havia sido “bacana” até minha adolescência e uma achei que a tal carta era digna de um post no meu blog, como uma forma “interessante” de se fazer homenagem a meu progenitor e a tantos outros que sei que já vacilaram com seus filhotes. Queria ver a cara dele quando visse a tal carta aqui neste blog.
Porém, antes de postá-lo tive que dar continuidade em meu serviço.
Fazia tempo que não pintava minha casa (motivo pelo qual estava também arrumando meus livros e etceteras – rituais organizacionais que só quem os faz entende). Lembrei de quando tinha por volta de seis a oito anos de idade e meu pai me mostrava como devia pintar o rodapé de nossa casa em Campo Grande – MS. “Olha só, você coloca o pincel na tinta e depois tem que tirar o excesso, se não, vai pingar tudo no chão”. Depois disso, passamos para a próxima lição, como “esticar” a tinta, afinal, se “esticar” de mais a pintura fica rala e temos que passar mais demãos e se não “esticamos” o suficiente ficam as marcas do pincel na parede. No fim das contas acabei demorando mais do que pensei para realizar o serviço. Como estava enferrujado, tive que fazer força para me recordar dos procedimentos, e junto deles vinham também as memórias.
Lembro que em todas as casas em que morei sempre gostei das cores e do momento em que passávamos juntos “reformando” a casa (sim, acho que meu pai acabou tomando gosto e adotou como hobby – para si e para seus filhos – o trabalho de pintor).
Foi desgastante. Minha parede tem quatro metros de comprimento e mais três de altura. Além do tamanho, encontrei uma rachadura (gigante) no lado direito de minha sala. Me disseram para passar a massa corrida e pronto, mas me recordei do tratamento especial do Sr. Alencar (meu pai). “Primeiro tem que abrir mais a rachadura, senão a massa não entra e depois de um tempo a rachadura aparece de novo”.
Pois bem. Rachaduras remendadas, e a parede lixada e espatulada, faltava somente a pintura em si, e com isso as tintas. Fui à loja de construção para pegar o que precisava.
O atendente parecia não estar de bom humor. Me atendia como se eu já tivesse anunciado que nada compraria. Se fosse minha mãe teria dado meia volta e dito algo sobre “falta de vontade” e “passar fome”. Mas assim como meu “velho”, continuei observando as tintas que me interessavam, como se nada tivesse acontecido. “Rapaiz, ce já usou essa tinta?” perguntei eu e o moço só respondeu que sim. Continuei a fazer perguntas até que consegui encaixar alguma piada. Aos poucos ele foi amolecendo e quase viramos amigos, assim como costuma acontecer com meu pai. Ele me deu um desconto, e ainda me convidou para tomar uma cerveja no boteco próximo qualquer dia.
Queria continuar meu serviço, mas a fome bateu. Como minha esposa não estava, resolvi convidar meu pai para dar uma olhada no que havia feito em minha casa, nas tintas que tinha comprado e aproveitar para fazer aquela Rabada que só eu, ele e meus irmãos comemos. Quem sabe conversar um pouco.
O problema é que ele é meio calado ... e eu também. “Que achou? só tenho que dar os retoques na parte e cima”. “É... tem que resolver isso”. Ficamos um tempo em conversas pequenas como essa. Ele foi para casa e minha esposa chegou. Ela conversou um pouco comigo, falando sobre seu dia e observando a bagunça que eu havia feito. No final da narrativa perguntou “E esses móveis fora do lugar?”. Eu apenas respondi “Eu sei... tem que resolver isso aí”. Fui para cama e dormi.
Ah...é o post... Lembrei da tal carta adolescente só dois dias depois. Se bem que estou o postando para que ninguém fique curioso sobre a tal carta e com raiva deste texto. Mas depois de todo esse serviço em minha casa, não sei por que, a lembrança da carta passou.
eis a carta:http://videtexto.blogspot.com/2004_07_01_archive.html
Feliz dia dos pais!
E com vocês? Seus pais já deram alguma "mancada" da qual vocês riem juntos hoje em dia? Deixem as suas histórias!!!

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