09/01/2010

Feliz Natal e Ótimo Ano Novo

E ae Gente! Peço desculpas pelos atrasos. Sabe como é.... Natal ... Fim de ano....
Inclusive, este texto era para ter sido postado na época do natal, mas acho que ainda vale para refletir.... Boa Leitura

Solidariedade Fashion

Seu José está feliz, aos 60 anos de idade e sem família, finalmente tinha alguém com quem conversar. Dona Maria senta ao seu lado e lhe faz perguntas, isso quando necessário, afinal, Seu Zé - conhecido como Zelito na época em que fazia parte do clube de remos São Benedito, em 1968 - tem muito a contar.

A festa vai a mil: alguns senhores e senhoras dançam um baião emitido pelo toca cd’s. Outros, com a idade mais avançada, apenas batem palmas e aproveitam dos comes e bebes que uma outra família trouxe.

Os dois estão sentados a direita do salão de festas em dois daqueles bancos de bar que se abrem e fecham e têm alguma marca de cerveja meio apagada na cabeceira. Quando Dona Maria não entende, simplesmente faz um “ahn” encenando uma compreensão do tema. Não há nenhum problema com tal gesto para Zelito, nem para Maria; o que importa é o momento, é saber que alguém diferente lhe emprestara os ouvidos e com amor.

Transcorrendo o olhar ao outro lado da festa duas das visitantes e organizadoras da farra natalina continuam conversando entre si – desde a hora em que chegaram:
“Menina, você não sabe a correria que foi! Ontem eu e Rubens fomos ao Lar da criança, ficamos uma hora lá, depois nós passamos pela sociedade das meninas operárias e ainda deu tempo de passar no abrigo São Jerônimo”, disse uma alta e de nariz empinado.

“Pois Carlos e eu também conseguimos agendar mais três fundações além dessa. É tão bom ajudar essas pessoas”, retrucou a outra.

A festa começa a esfriar, não por culpa dos velhinhos, mas os organizadores já se cansaram, afinal de contas, é difícil preparar tudo aquilo.

Os senhores ainda sorriem exasperados com a animação e a amizade que conseguiu de alguns. Agradecem muitas e muitas vezes.

As duas organizadoras se despedem (conversaram juntas a maior parte do tempo). Trocaram o telefone para que uma ajude a outra nas entidades que conseguirem agendar para o próximo natal, enquanto as coordenadoras e funcionárias do asilo já chamam pelo nome os senhores que precisam voltar para a cama ou tomar algum remédio.

A festa termina, Seu Zelito vai para cama, mas aos poucos o sorriso começa a desaparecer; lembrou-se que tudo aquilo, aquela menina que ouvia sua história não estaria lá no próximo dia. Tentou se alegrar, retomar a positividade de sempre. “Não tem problema!! No próximo natal, eles estarão de volta.”
__________________________________________________________________________________

     Olá pessoal, gostaria de deixar claro alguns pontos sobre este texto. Estou um pouco preocupado porque talvez tenha escrito demais pelas entrelinhas desta vez (risos).
     Bem, como já tinha dito, acho que qualquer boa ação, por qualquer motivo que seja é bem vinda uma vez que se ajuda outras pessoas. No entanto, a crítica que tentei fazer é com relação ao que as pessoas querem “dar” a quem precisa.  Alguns podem pensar que uma festa com comes e bebes e presentes é tudo o que uma pessoa precisa. Contudo se esquece que as prioridades mudam de acordo com a situação. Quando não se tem ninguém que te ouça acho que um ouvido é o que a pessoa mais gostaria de ter, não é.
    Para explicar a segunda questão da crônica primeiro teria que agradecer a uma família Vinhedence que me convidou, na época em que era jornalista na cidade, a conhecer o trabalho deles no Natal em um asilo do município. Foi através deste contato que eu compreendi um pouco além do que eu conhecia sobre a situação de algumas casas de apoio como esta era.
    ´E vamos ao segundo problema então: Quando nos aproximamos de dadas especiais, como as festas de final de ano, alguns se lembram que existem pessoas necessitadas que talvez não tenham condições de celebrar estas datas com o luxo que a fazemos e, com isso, lembramos de ajudar ao próximo. Contudo, nos esquecemos que a situação que encontramos estes seres humanos quando os ajudamos no Natal ou em outra época é permanente, ou seja, não é algo específico daquele dia. São mais 364 dias da mesma situação, do mesmo perrengue, da mesma fome, da mesma necessidade.
    Desta forma, o meu objetivo (não sei se consegui alcançá-lo com minha crônica, era o de lembrar que devemos auxiliar o outro sempre que que possível e não somente durante épocas especiais. Devemos fazer o que nos é possível fazer para que melhoremos a qualidade de vida dos nossos vizinhos.
    Com isso, novamente bom natal e Feliz Reveillon (atrasados) e feliz outros 364 dias que nos restam para lembrarmos do próximo.