Na época, Jorge era apenas um menino. Nascido em uma cidade não muito povoada, adorava as coisas simples. Brincar de tratorzinho na terra, fazer bolo de barro e catar minhocas (para assustar as meninas).
No entanto, um fenômeno particular sempre atraía o menino. Desde muito cedo Jorge se maravilhava com a chuva. Sua aula mais marcante até então foi a de ciências falando sobre o ciclo da água e todas as informações que precisava para desmistificar o funcionamento da precipitação, ebulição e etc.
Uma chuva se aproximava e Jorge ficava animado, principalmente agora que compreendia o caminho que o pingo de água percorria para conseguir encharcar suas roupas.
E assim veio a tempestade. Pingos grossos bateram e afugentaram os amigos. Ainda pequeno, Jorge foi até a beirada de sua casa, onde uma bica se fazia da água que corria pelo telhado. Queria agora fazer um último teste. “Que gosto será que tem água de chuva?”
Foi interrompido. Na hora em que se posicionava para seu experimento, Justina, sua mãe, gritou: “Não bebe dessa água Jorginho! O telhado é sujo!”
Boa percepção. Jorge parou de sopetão e entrou para dentro de casa. Tomou um banho e foi para cama.
Hoje Jorge acorda com o barulho da chuva. Até que enfim... depois de meses sem chover.
O homem vai até a cozinha tomar um copo d’agua e vê uma cena familiar.
Corre até a varanda e grita para seu filho: “Gustavinho! Não bebe dessa água! A chuva é suja!”
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