Já sentiu alguma vez a necessidade de imitar um ídolo seu: sabe, fazer algo tão grandioso quanto ele e ao mesmo tempo na esperança de poder superá-lo? Os jovens têm muito disso; de tentar fazer melhor e os universitários sempre tiveram essa linha inerente. Foi assim que o movimento do impeachment em 92 iniciou; na ditadura, eram eles a grande maioria entre os rebeldes.
Foram grandes causas que também geram a vontade nas gerações subseqüentes e eu sou uma delas. Me lembro de certa vez na faculdade em que resolvi ouvir os chamados do grêmio. Pessoas com apitos, batendo tampas de panelas e gritando. Me sentia parte legítima do movimento afinal, queríamos a continuidade do Platô, que seria derrubado.
A pena é que a mente conjunta atual se perde em meio aos devaneios da vontade. Queríamos ser grandes, queríamos superar nossos antepassados. Durante os pouco mais de 300 metros de passeata tal vírus se alastrou entre os presentes e o foco se perdeu.
O fim do platô se transformou em gritos de redução de mensalidade que depois, como um telefone sem fio feito por jogadores muito pouco interessados, logo se transformaram em urros de xingamentos ao reitor e, no final, uma grande cena de vandalismo.
Como depois da embriaguez, me vi no meio de um confronto e sem saber o que fazer. Pelo que lutávamos mesmo? Todos pareciam ter esquecido. Fato é que a vontade de fazer melhor não se encaixa com o pensamento avoado e desorganizado desta nova sociedade, que deseja falar muito mas não tem o que apresentar.
Aos que desejam protestar um aviso: Organizem suas cabeças e vejam o que de fato vale à pena e o que é simplesmente uma vontade sem necessidade que, como diz minha mãe, não passa de um fogo de palha que, na mesma intensidade que nasce, consome o curral e se extingui assim como tudo a sua volta.
