25/11/2011

Fogo de palha

Já sentiu alguma vez a necessidade de imitar um ídolo seu: sabe, fazer algo tão grandioso quanto ele e ao mesmo tempo na esperança de poder superá-lo? Os jovens têm muito disso; de tentar fazer melhor e os universitários sempre tiveram essa linha inerente. Foi assim que o movimento do impeachment em 92 iniciou; na ditadura, eram eles a grande maioria entre os rebeldes.
Foram grandes causas que também geram a vontade nas gerações subseqüentes e eu sou uma delas. Me lembro de certa vez na faculdade em que resolvi ouvir os chamados do grêmio. Pessoas com apitos, batendo tampas de panelas e gritando. Me sentia parte legítima do movimento afinal, queríamos a continuidade do Platô, que seria derrubado.
A pena é que a mente conjunta atual se perde em meio aos devaneios da vontade. Queríamos ser grandes, queríamos superar nossos antepassados. Durante os pouco mais de 300 metros de passeata tal vírus se alastrou entre os presentes e o foco se perdeu.
O fim do platô se transformou em gritos de redução de mensalidade que depois, como um telefone sem fio feito por jogadores muito pouco interessados, logo se transformaram em urros de xingamentos ao reitor e, no final, uma grande cena de vandalismo.
Como depois da embriaguez, me vi no meio de um confronto e sem saber o que fazer. Pelo que lutávamos mesmo? Todos pareciam ter esquecido. Fato é que a vontade de fazer melhor não se encaixa com o pensamento avoado e desorganizado desta nova sociedade, que deseja falar muito mas não tem o que apresentar.
Aos que desejam protestar um aviso: Organizem suas cabeças e vejam o que de fato vale à pena e o que é simplesmente uma vontade sem necessidade que, como diz minha mãe, não passa de um fogo de palha que, na mesma intensidade que nasce, consome o curral e se extingui assim como tudo a sua volta.

21/11/2011

A era de "IS"

Os cientistas e historiadores do ano 2100 argumentavam entre si sobre a nomenclatura de um determinado ciclo do passado que merecia ser reconhecido na linha da humanidade.
A época dos computadores, aquela em que eles já haviam invadido todas as casas e a tecnologia de fibras ópticas, touch screens e wi fy cobriam cada centímetro de parede, fossem elas industriais ou domiciliares.
“Aquela deveria ser chamada de A era de IA, Inteligência Artificial. Todos tinham um andróid nos tablets e tv’s! O tal nome é o mais plausível!”, disse um cientista encoberto pela euforia da discussão.  “Deveríamos chamar de a era da informação! Foi nesta época que todos tiveram acesso a todo tipo de informação!” Gritou um historiador transtornado pela blasfêmia anterior.
Assim continuou a briga até que um sociólogo, metido a diplomata, que trabalhavam ao lado se cansou dos dias a finco de discussões na sala ao lado e resolveu achar um meio termo.
“Com licença, eu gostaria de propor um novo nome!”, disse o sociólogo para o qual olhares de cólera imediatamente se voltaram.
“Na verdade é um meio termo entre as duas nomenclaturas que vocês propuseram”. Logo, um brilho de curiosidade perpassou e as sobrancelhas apontaram para o céu em sinal de dúvida.
Olhando para os cientistas, o sociólogo disse: “Vocês dizem que aquela foi a era da inteligência criada pelos computadores, certo, aquela a qual nós nos rendemos e cultivamos?!”. Os cientistas balançaram a cabeça firmemente para frente e para trás. “E vocês afirmam que foi a época da informação rápida e a qual todos têm acesso desde então”. As outras cabeças também entraram no coro silencioso de “sim’s”.
“Portanto, gostaria de propor um termo que vai além dos fatores externos. Que mostra como, a partir daí o ser humano modificou sua forma de pensar e de ser. A era em que os computadores e redes de comunicação nos alteraram para todo o sempre. Que fez com que alcançássemos este auge no qual estamos hoje, há Séculos  afrente”. Com um fervor de aclamações e plausos, o sociólogo saiu carregado pelos braços de cientistas e historiadores. As novas linhas temporais já tinham um novo nome em sua ponta mais recente.
“A Era de IS – Inteligência Superficial”