12/08/2011

Pai é quem cria


Como o dia dos pais se aproxima, a professora de filosofia de uma escola particular resolveu deixar de lado o estudo de filósofos antigos e incitar nos alunos, de forma indireta, o amor que eles sentem pelo progenitor. A professora explica que vão falar sobre uma pessoa muito próxima delas e a idéia é que eles analisem o quanto gostam desse cara, mas sem citar os nomes ou o grau de familiaridade. Depois, todos devem escrever um cartão para a figura da charada.
“Eduardo, o que a pessoa mais importante do mundo para você fez por você?”
“Bem, professora”, responde, em uma voz baixa, o aluno mais quieto da sala depois de pensar um pouco ... “ele me fez perceber quem eu sou, me ajudou a ficar de bem comigo mesmo!!”
“Nossa Eduardo, que ótima definição!!!”, disse a professora satisfeita com o rumo da conversa. “Bruno, sobre essa pessoa importante para você, o que você mais gosta nela?”
“Ummm, ele está sempre preocupado comigo”, responde o menino de aparelho nos dentes. “Mesmo quando a gente não tá junto, ele me liga pra saber como estou”.
“Perfeito, Bruno!”, respondeu a professora com todos os dentes a mostra, exacerbando felicidade. “Ok. Fernanda, o que essa pessoa te ensinou de mais importante?” A menina mais alta da sala respondeu sem titubear:
“Que não podemos desistir! Que temos que ter garra para alcançar a nossa meta!”
A professora já não conseguia conter a empolgação e a turma também entrou no clima. Os alunos já não se sentiam acanhados em responder às perguntas.
E assim foi com mais algumas perguntas e respostas extasiantes para a orientadora da atividade. Ao final ela então pediu para que todos se preparassem para dizer, em uma só vez quem é essa pessoa tão importante.
A professora já conseguia ouvir em sua mente o som uníssono de vozes adolescentes declamando a resposta óbvia da charada. Contudo, o que se escutou foram palavras e mais palavras fundidas em alto tom que depois sumiram no silêncio da sala.
Perplexa, a professora repassa em sua mente o que pode captar. “Todos Erraram?!” “Eduardo, quem é a sua pessoa importante?” “meu psicólogo”, disse o garoto envergonhado. “Ele me ajudou bastante na minha... timidez”.
A menina alta também levanta a mão para responder sobre a sua: “O meu é o técnico do time de vôlei. Ele sempre fala pra gente buscar até o último ponto”.
“E o seu Bruno, quem sempre se preocupa com você?”; “Meu dentista?”, disse o garoto já inseguro devido ao clima de perplexidade na sala.
O sinal bate. A professora pede para a classe que pensem em casa um pouco mais e que façam o cartão. “Uma última dica: tem uma data comemorativa para essa pessoa ainda essa semana!”
Na aula seguinte, a professora descobre que eles copiaram do Google, uma frase bonita para dar a algum cardiologista (profissão que alguns não sabiam direito o que era). Somente um veio conversar e mostrar o cartão pessoalmente. “Era esse que você queria que a gente respondesse?”. Na face do cartão estava escrito: Feliz dia dos Pais.
A professora respondeu com entusiasmo que a resposta estava certa. O garoto, que usava um tênis mais simples que os demais, retrucou, antes que a professora o elogiasse. “Pra eles, você deveria ter também dito que é aquele que compra tudo que eles querem”.
A professora devolveu o cartão e Ele foi embora, anotando algo a mais dentro do bilhete.

Obrigado pai por ter me criado.
Esse é um presente que poucos dão aos seus filhos hoje em dia.

Ele sabe que seu pai vai se atrasar de novo, pois sempre tem trabalho a terminar. Mas é o pai dele quem o leva para casa e vai perguntar sobre o seu dia. 

05/08/2011

Intercâmbio cultural entre operários

Com o dólar baixo desses dias, muitos aproveitaram a oportunidade para fazer um intercâmbio cultural. Ótima chance de aprender sobre novos costumes e o jeito de vida de outros povos.

Foi o mesmo com a formiga. Para aprender como funcionam outras sociedades, resolveu vir ao Brasil. Por aqui aprendeu tudo sobre as conexões entre os humanos e como eles se relacionam. Fez estágio com os operários da região, afinal, sendo da mesma classe, queria aumentar sua bagagem profissional.

Depois de um ano inteiro de buscas pelo conhecimento, a formiguinha retornou a seu ninho, cheia de idéias e bugigangas.

Ao chegar dentro do formigueiro, reparou que o sistema em que trabalhava era escravista, que seu espaço dentro do ninho era pequeno e o sistema era autoritário.

Ela, então reivindicou junto à rainha um flat com vista para a horta do lado de fora e descanso remunerado. A realeza, temendo que tal idéia fosse transmitida para as outras operárias, acatou as modificações, mas pediu extremo silêncio de parte da formiguinha.

Com essa vitória, a pequena deslanchou, mas parece que havia perdido algo enquanto fazia o intercâmbio: fofocava sobre o problema das outras, mas não faz nada para ajudar; Fundou uma religião, falando sobre amor e sobre solidariedade, mas deixou de trabalhar pelo bem do formigueiro.

A gota d’agua foi quando formou uma chapa para concorrer com a rainha nas próximas eleições, um meio de conseguir chegar ao alto escalão. ... foi despedaçada minutos depois ao som do riso maquiavélico da Rainha que ordenou a execução.

Pobrezinha. Depois de tanto tempo no Brasil, conseguiu a dádiva da consciência, mas se esqueceu de como funciona uma verdadeira sociedade e a classe operária: unidos por um bem maior, ou por um inverno farto.


Soube que ao mesmo tempo o mesmo formigueiro também recebeu um ser humano e, apesar do choque cultural no início, deixou saudades entre as formigas. “Ai, ai, você tem notícias daquele rapaz do intercâmbio? Faz tempo que não o vejo”, perguntou um inseto para o outro enquanto transportavam um pedaço de folha. “Pois é, ele já voltou para casa, na Síria. Comentou algo sobre trabalhar em grupo. Até que enfim ele entendeu essa parte!”