05/08/2011

Intercâmbio cultural entre operários

Com o dólar baixo desses dias, muitos aproveitaram a oportunidade para fazer um intercâmbio cultural. Ótima chance de aprender sobre novos costumes e o jeito de vida de outros povos.

Foi o mesmo com a formiga. Para aprender como funcionam outras sociedades, resolveu vir ao Brasil. Por aqui aprendeu tudo sobre as conexões entre os humanos e como eles se relacionam. Fez estágio com os operários da região, afinal, sendo da mesma classe, queria aumentar sua bagagem profissional.

Depois de um ano inteiro de buscas pelo conhecimento, a formiguinha retornou a seu ninho, cheia de idéias e bugigangas.

Ao chegar dentro do formigueiro, reparou que o sistema em que trabalhava era escravista, que seu espaço dentro do ninho era pequeno e o sistema era autoritário.

Ela, então reivindicou junto à rainha um flat com vista para a horta do lado de fora e descanso remunerado. A realeza, temendo que tal idéia fosse transmitida para as outras operárias, acatou as modificações, mas pediu extremo silêncio de parte da formiguinha.

Com essa vitória, a pequena deslanchou, mas parece que havia perdido algo enquanto fazia o intercâmbio: fofocava sobre o problema das outras, mas não faz nada para ajudar; Fundou uma religião, falando sobre amor e sobre solidariedade, mas deixou de trabalhar pelo bem do formigueiro.

A gota d’agua foi quando formou uma chapa para concorrer com a rainha nas próximas eleições, um meio de conseguir chegar ao alto escalão. ... foi despedaçada minutos depois ao som do riso maquiavélico da Rainha que ordenou a execução.

Pobrezinha. Depois de tanto tempo no Brasil, conseguiu a dádiva da consciência, mas se esqueceu de como funciona uma verdadeira sociedade e a classe operária: unidos por um bem maior, ou por um inverno farto.


Soube que ao mesmo tempo o mesmo formigueiro também recebeu um ser humano e, apesar do choque cultural no início, deixou saudades entre as formigas. “Ai, ai, você tem notícias daquele rapaz do intercâmbio? Faz tempo que não o vejo”, perguntou um inseto para o outro enquanto transportavam um pedaço de folha. “Pois é, ele já voltou para casa, na Síria. Comentou algo sobre trabalhar em grupo. Até que enfim ele entendeu essa parte!”

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