13/10/2011

O substituto

Há alguns anos atrás, uma mãe saía de viagem rumo à Inglaterra. Deixaria seus filhos durante todo o mês de outubro, o que significaria que o dia das crianças seria longe dos meninos. Apesar da lástima e o peso no coração ela partiu, afinal, a viagem seria uma experiência única.
Para compensar a ausência, deixou um urso de pelúcia. Simples, exceto pelo tamanho um pouco avantajado, não tinha nada de mais.
Durante a ausência da mãe, os meninos abraçavam e conversavam com o ursinho, uma forma de passar o tempo. Dentro do ursinho eles encontravam um pouco do amor que a mãe deixou a eles, mas sabiam que o objeto não era real e, no fundo, sentiam que era apenas um consolo enquanto a mãe não retornava. Ela voltou, eles a envolveram e conversaram – naquele dia e nos outros que se passaram.
A pena é que o fato se alastrou e hoje em dia, muitos pais fazem a mesma coisa, mas da forma errada: a promessa de retorno do afeto é constantemente quebrada, o que gera um ciclo vicioso.
O menino de agora sente falta de carinho e abraça o robô, mas ele é frio, metálico e automatizado. A chama do afeto que era transpassada enquanto o brinquedo era dado pelos pais se apagou. Hoje, o brinquedo é jogado dentro de uma caixa enfeitada e deixada para o menino de agora.
De tanto esperar o afeto e ser magoado, uma casca se cria no coração da criança e a repetição fica na memória: Ter um brinquedo é ter amor - é isso que eles pensam. Quanto mais brinquedos mais amor, certo?! Acho que não

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