O maluco chega do nada... vai vagarosamente ao local. Chega de fininho e dá uma olhada pra trás, pra ver se não tem ninguém vendo. Pensa consigo mesmo “É a última vez... é a ultima vez... é só pra acalmar os ânimos".
Sujeito estranho, olhos fundos e vermelhos. Tinha um tique nos ombros e os repuxava freqüentemente, isso quando esquecia das mãos que esfregava com força e a quase todo momento. A cara era pálida como se tivesse visto um fantasma, mas era ele que parecia um àquela hora da noite andando pelos cantos com se fugisse da já fraca luz dos poucos postes da rua mal iluminada.
Apertou o botão do interfone e o portão de aço se abriu fazendo um barulho estridente e chato, comum de todos os portões automáticos. Ele entrou rápido e fechou a grade, encostando-se no canto da parede como se estivesse inseguro do que estava prestes a fazer. “Melhor ir embora”, pensou. “Se alguém conhecido me vir por aqui eu to ferrado em casa”. Apesar da consciência pesada, ele a carregou a duros passos pela escada até a entrada que dava de cara para um balcão onde um rapaz corpulento e de cabelo ralo estava apoiado do lado de dentro.
“Quanto você quer?” questionou o homem forte de trás do balcão que repetiu a pergunta ao ver que o franzino pálido de olhos fundos demorava a responder. “Vinte.... não trinta”, disse com uma voz rouca e medrosa ao mesmo tempo em que olhava ao redor. O local era mal iluminado mas estava cheio. Duas longas mesas cortavam o estabelecimento de fora a fora. Uma ficava encostada à parede do fundo do local. A outra dividia a sala em dois na vertical. De qualquer forma, várias pessoas estavam sentadas em cadeiras azuis (aparentemente confortáveis).
“Tem senha?”, perguntou o rapaz do balcão, que de perto não parecia ser tão velho. Deveria ter lá seus 25 anos, mas não era isso que importava para o outro que atritava freneticamente as mãos, tentando consolá-las. “Vinte sete, meia nove”, respondeu secamente. “Ok, o seu é o número sete, já está contando o tempo”.
Como se tirasse uma mochila lotada de pedras das costas, uma pequena luz abriu em sua cara. Correu ao local indicado. A curvatura da coluna continuava a mesma mas se encaixava perfeitamente na cadeira azul. Colocou o fone de ouvido e se transformou, em um simples mexer de mãos sobre o teclado, em um cavaleiro musculoso e bronzeado. Paquerava as meninas élficas e contava suas grandes aventuras no mundo três de ‘elflindglóing’ (sic.) onde ele conseguiu a façanha de destruir o demônio do mal e ganhar seis pontos de coragem.
O tempo acaba. O computador desliga automaticamente, junto com a luz de felicidade (ou será a luz da tela do monitor?) que iluminava sua carinha quase translúcida. Ele se levantou, pagou o que devia com o dinheiro que economizou não tomando o ônibus (ida e volta) e foi andando para casa, a uns sete quarteirões da lan house. Sozinho.
Sujeito estranho, olhos fundos e vermelhos. Tinha um tique nos ombros e os repuxava freqüentemente, isso quando esquecia das mãos que esfregava com força e a quase todo momento. A cara era pálida como se tivesse visto um fantasma, mas era ele que parecia um àquela hora da noite andando pelos cantos com se fugisse da já fraca luz dos poucos postes da rua mal iluminada.
Apertou o botão do interfone e o portão de aço se abriu fazendo um barulho estridente e chato, comum de todos os portões automáticos. Ele entrou rápido e fechou a grade, encostando-se no canto da parede como se estivesse inseguro do que estava prestes a fazer. “Melhor ir embora”, pensou. “Se alguém conhecido me vir por aqui eu to ferrado em casa”. Apesar da consciência pesada, ele a carregou a duros passos pela escada até a entrada que dava de cara para um balcão onde um rapaz corpulento e de cabelo ralo estava apoiado do lado de dentro.
“Quanto você quer?” questionou o homem forte de trás do balcão que repetiu a pergunta ao ver que o franzino pálido de olhos fundos demorava a responder. “Vinte.... não trinta”, disse com uma voz rouca e medrosa ao mesmo tempo em que olhava ao redor. O local era mal iluminado mas estava cheio. Duas longas mesas cortavam o estabelecimento de fora a fora. Uma ficava encostada à parede do fundo do local. A outra dividia a sala em dois na vertical. De qualquer forma, várias pessoas estavam sentadas em cadeiras azuis (aparentemente confortáveis).
“Tem senha?”, perguntou o rapaz do balcão, que de perto não parecia ser tão velho. Deveria ter lá seus 25 anos, mas não era isso que importava para o outro que atritava freneticamente as mãos, tentando consolá-las. “Vinte sete, meia nove”, respondeu secamente. “Ok, o seu é o número sete, já está contando o tempo”.
Como se tirasse uma mochila lotada de pedras das costas, uma pequena luz abriu em sua cara. Correu ao local indicado. A curvatura da coluna continuava a mesma mas se encaixava perfeitamente na cadeira azul. Colocou o fone de ouvido e se transformou, em um simples mexer de mãos sobre o teclado, em um cavaleiro musculoso e bronzeado. Paquerava as meninas élficas e contava suas grandes aventuras no mundo três de ‘elflindglóing’ (sic.) onde ele conseguiu a façanha de destruir o demônio do mal e ganhar seis pontos de coragem.
O tempo acaba. O computador desliga automaticamente, junto com a luz de felicidade (ou será a luz da tela do monitor?) que iluminava sua carinha quase translúcida. Ele se levantou, pagou o que devia com o dinheiro que economizou não tomando o ônibus (ida e volta) e foi andando para casa, a uns sete quarteirões da lan house. Sozinho.

Olá gente, tudo bem... depois de um longo tempo estou tentando voltar a ativa. Aqui está o que eu considero uma Crônica. Estou me segurando para não fazer comentários sobre ele, mas gostaria que dessem suas opiniões e interpretações sobre ele e, mais tarde, poderíamos criar uma discussão sobre o assunto... um grande abraço!
ResponderExcluirBuenas ThaigÃo... Td bem kra?
ResponderExcluirque bom chegar a seu blog.... no meu também tem algumas crônicas..depois volto pro debate filosófico..
abs
Que bom te ver aqui rapaz!!! Estou ligado no Falaguri!! Precisamos nos encontrar hein!!!
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