Certa vez, acordei em Silent Hill. Sim, aquele do filme macabríssimo baseado em um game igualmente tenebroso.
A noite havia sido turbulenta e curta. Levantei-me da cama e senti que havia algo estranho. Com o nariz e a boca ressecados, fui à cozinha tomar água. Contudo, não foi possível matar a sede pois o conteúdo do copo tinha gosto de cinza.
Apesar de levantar cedo, o céu neste dia único se recusava a clarear. Uma luz penada pairava sobre o ar denso e seco. Algo estava realmente estranho.
Uma sirene, como a dos toques de recolher, foi lançada ao vento; a única coisa que cortou a morbidade silenciosa daquela manhã e apertou meu coração, que aparentava saber que algo sinistro se passava.
Fui até a janela para observar o que estava acontecendo no lado de fora. Será que eu havia realmente sido lançado àquele purgatório de Silent Hill? Não consegui descobrir.
O pouco calor ainda resguardado dentro de minha casa (e talvez a adrenalina acelerando meus pulmões) esfumaçou os vidros, tornando a cena que se passava do lado de fora ainda mais fantasmagórica. Só havia uma coisa a fazer. Teria que ir ver com meus próprios olhos se aquilo que se passava em minha cabeça era real.
Abri a porta, e meu coração quase abriu meu peito. Uma aparente névoa cobria todo meu quintal e além do muro. Dei o primeiro passo para fora de casa e vi que uma nuvem de fuligem subia a cada pé movimentado.
O chão de ardósia não era mais avistado e caso alguma parte estivesse descoberta, era porque algum animal havia passado por lá, deixando uma pegada arrastada, cor de carvão, manchando o piso.
Pensei que o apocalipse documentado em Silent Hill havia invadido minha vizinhança. Talvez mais além. Logo veria os monstros pútridos do filme passando pelo meu portão. Ouvi algo se aproximando.
Mas por uma obra divina, o primeiro carro passou pela minha rua. Logo em seguida veio o ônibus, trazendo também um pouco mais de luz ao dia.
Lembrei que o sinal era da fábrica que fica próximo de meu bairro. Ufa. .. salvo... mas...
O que então explica o gosto de fuligem, a névoa sombria e as cinzas sobre meu quintal?!
Ah.. lá está. No terreno baldio de minha casa e na fazenda no fim de minha rua resolveram aproveitar o tempo de seca para queimar o que não se precisava.
Estava em Silent Hill, mas quem me colocou lá não foi a obra divina ou demoníaca, apenas a mão de alguns vizinhos irresponsáveis e de leis que nunca são aplicadas.
E você, caro leitor, já passou por silent hill ou já passou um dia lá? deixe seu comentário!
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